Em Factótum, segundo romance de Charles Bukowski, publicado em 1975, encontramos mais uma vez Henry Chinaski, alter ego
do autor, protagonista de vários dos seus livros e um dos mais célebres
anti-heróis da literatura americana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o
loser Henry (que reaparece mais tarde em Misto-quente) é
considerado "inapto para o serviço militar" e não consegue entrar para o
exército. Assim, enquanto os Estados Unidos se unem em torno da guerra e
os homens alistados são vistos como heróis, Chinaski, sem emprego, sem
profissão nem perspectiva, cruza o país, arranjando bicos e trampos,
fazendo de tudo um pouco – daí o nome do livro –, na tentativa de
subsistir com empregos que não se interponham entre ele e seu grande
amor: escrever. Em meio a tragos,
perambulações por ruas marginais, tentativas de ser publicado, vivendo
da mão para a boca, o autor iniciante Henry Chinaski come o pão que o
diabo amassou. Tais trechos, que tratam do escritor em formação, estão
entre os mais pungentes e interessantes do livro. Na sua versão do
artista quando jovem, Bukowski vê tudo através da lente da
desmistificação – desmistifica a imagem do artista romântico e o milagre
americano – e faz desse olhar cínico a sua profissão de fé.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Charles Bukowski - Ao Sul De Lugar Nenhum
Ao sul de lugar nenhum – histórias da vida subterrânea deixa
claro por que Charles Bukowski é um dos escritores norte-americanos mais
influentes das últimas décadas, e um dos mais lidos e amados pelos
leitores. Sob o signo da solidão, do isolamento, da alienação e da
marginalização, o que temos aqui são reflexões sobre personagens que
desistiram da sociedade e talvez até de si mesmos. A essas massas
silenciosas geralmente rotuladas como 'bêbados', 'vagabundos' e
'perdedores', Bukowski empresta sua voz (áspera de cigarro e destilados)
e mostra que, sim, também essas pessoas têm esperanças, anseios e até
mesmo sonhos, ainda que esses sonhos não se enquadrem nos padrões
normalmente aceitos. Nestes contos, afloram toda a verve e todo o humor
cáustico do autor, para o qual não há assunto tabu e nenhuma escatologia
da miséria humana é desprovida de interesse.
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Charles Bukowski - Crônica De Um Amor Louco
Crônica de um amor louco é o primeiro dos dois volumes da obra Ereções, ejaculações e exibicionismos,
do genial escritor Charles Bukowski (1920-1994). Uma jornada pelo
universo infernal e onírico do velho e safado Buk – seus personagens
desvalidos, seus quartos imundos em hotéis baratos, seus bares
enfumaçados na longa louca noite de neon: o sonho americano reduzido a
trapos nas ruas desertas da madrugada voraz de Los Angeles, a cidade que
Bukowski amava acima de todas as coisas. Este
primeiro volume leva o título do filme que o italiano Marco Ferreri
realizou baseado nos textos de Bukowski e cuja linha mestra é extamente o
primeiro conto do livro, A mulher mais linda da cidade. Ao narrar a história de Cass, uma bela mestiça que passara a adolescência em um convento, Bukowski
mergulha na excitação frenética, na insanidade corrosiva das noites
mormacentas e manhãs de névoa poluída da sua amada Los Angeles. Os
contos parecem brotar do seu estômago ulcerado, são jogados ao papel
entre espasmos de delirium tremens e fantasias alcoólicas
disformes. Perto dessas histórias rudes e ríspidas, os contos de outros
autores parecem narrativas de colegiais, que nada têm a ver com o mundo
da maquinaria, com esse gigantesco cemitério de automóveis que nos
envolve e sufoca. Ma ao memos tempo Bukowski é lírico. Seus contos
terminam bruscamente, mas deixam suspensa no ar uma sensação de
dignidade e esperança na raça humana.
domingo, 27 de setembro de 2015
Charles Bukowski - Pulp
Em Pulp, Bukowski narra os episódios da vida de
Nick Belane, um detetive particular de Los Angeles. Um cara durão, mas
azarado, que divide o seu escritório com as moscas e as baratas, sempre
atrasando o aluguel. Em um dia insuportavelmente
quente, Belane é surpreendido por uma mulher sexy, de longas pernas, "um
glorioso barato de carne", que chega ao seu escritório. Seu nome é Dona
Morte. Ela tem um trabalho para o detetive: encontrar Celine, um
escritor francês que está morto há 32 anos, mas que ela insiste em dizer
que avistou em uma livraria de Los Angeles. Na busca por Celine, Belane
também investiga outros estranhos casos, todos envolvendo vigaristas
dos mais variados tipos, perseguições, assassinatos, brigas de bar e até
uma conspiração alienígena. Dona Morte, uma mulher
inacreditavelmente fatal, é a personificação do sentimento que
acompanhava Bukowski no período em que escreveu a obra, o de estar
vivendo os seus últimos dias. Pulp foi escrito em 1993, nos
intervalos entre as sessões de quimioterapia a que Bukowski se submeteu
devido à leucemia que o mataria meses mais tarde.
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domingo, 20 de setembro de 2015
Charles Bukowski - Numa Fria
Charles Bukowski foi um dos maiores poetas e ficcionistas dos EUA. A
diferença entre ele e os outros 'malditos' é que ele não foi um mártir,
nem um anjo caído. Às vezes, quando cai, cai atirando, sem autopiedade.
Alguns de seus diálogos são memoráveis, e a violência de sua linguagem
geralmente oculta uma indisfarçável ternura pelos perdedores e
excluídos. Numa fria é Bukowski puro - uma preciosa coletânea de
contos, gênero ao qual ele se dedicou mais intensamente.
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domingo, 13 de setembro de 2015
Charles Bukowski - Misto Quente
O que pode ser pior do que crescer nos Estados
Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas
espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e
ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de
servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às
pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o
protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais
comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994). Verdadeiro romance de formação com toques autobiográficos, Misto-quente
(publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e
aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a
ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e pela liberdade,
trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances
norte-americanos da segunda metade do século XX. Apesar de ser o quarto
romance dos seis que o autor escreveu e de ter sido lançado quando ele
já contava mais de sessenta anos, Misto-quente ilumina toda a obra de Bukowski. Pode-se dizer: quem não leu Misto-quente, não leu Bukowski.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Charles Bukowski - A Mulher Mais Linda Da Cidade
A mulher mais linda da cidade é uma viagem pelo
universo infernal e onírico do velho e safado Buk, seus personagens
desvalidos, seus quartos imundos de hotéis baratos; homens e mulheres
que se movem num mundo estranho e brutal, perdedores que contracenam num
mundo real, perverso. O sonho americano reduzido a trapos nas ruas
desertas da madrugada voraz de Los Angeles. Crônica de um amor louco é o título do filme realizado
em 1981 pelo italiano Marco Ferreri, baseado nos textos de Bukowski e
cuja linha mestra é exatamente o primeiro conto deste livro. Ao narrar a história de Cass, uma bela mestiça
que passara a adolescência em um convento, Bukowski mergulha na
excitação frenética, na insanidade corrosiva das noites mormacentas e
manhãs de névoa poluída de Los Angeles.
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sexta-feira, 19 de junho de 2015
Charles Bukowski - O Amor É Um Cão Dos Diabos
Como a prosa, cada poema de Charles Bukowski corta como aço de navalha.
Ele expõe as vísceras da realidade, revolve o cotidiano, e, de onde nem
se pensa que sairá um poema, brotam versos de pura genialidade. Algo
como um saxofone gemendo na noite fria. As ruas molhadas refletindo o
brilho feérico do neon. Fantasmas da madrugada buscam um gole da bebida
mais forte que encontrarem. Bares fechando; a luz amarelada, o odor acre
de suor misturado com álcool e muito tabaco. Poucos souberam, como
Charles Bukowski, arrancar versos de quartos sórdidos de hotel, becos
imundos, mulheres de todas as formas, bocas vermelhas demais, madrugadas
longas, solitárias. É o bepop dos marginalizados, dos perdedores,
pensadores de sarjeta, filósofos encharcados de uísque vagabundo.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Charles Bukowski - Hollywood
Hollywood foi escrito a partir da experiência de Bukowski ao fazer o
argumento para o filme Barfly (direção de Barbet Schroeder, com Mickey
Rourke e Faye Dunaway), onde ele narra a história de um escritor que
ganha um bom dinheiro para escrever um roteiro para o cinema. Alguns de
seus diálogos são memoráveis e a violência de sua linguagem geralmente
oculta uma indisfarçável ternura pelos perdedores e excluídos.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Charles Bukowski - Mulheres
“Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhuma
mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de
música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de
Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se
tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro
amor. Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece
Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie,
não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres,
bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no
fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres,
o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o
velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à
margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá
uma pista: “ficção é a vida melhorada”.
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