Crônica de um amor louco é o primeiro dos dois volumes da obra Ereções, ejaculações e exibicionismos,
do genial escritor Charles Bukowski (1920-1994). Uma jornada pelo
universo infernal e onírico do velho e safado Buk – seus personagens
desvalidos, seus quartos imundos em hotéis baratos, seus bares
enfumaçados na longa louca noite de neon: o sonho americano reduzido a
trapos nas ruas desertas da madrugada voraz de Los Angeles, a cidade que
Bukowski amava acima de todas as coisas. Este
primeiro volume leva o título do filme que o italiano Marco Ferreri
realizou baseado nos textos de Bukowski e cuja linha mestra é extamente o
primeiro conto do livro, A mulher mais linda da cidade. Ao narrar a história de Cass, uma bela mestiça que passara a adolescência em um convento, Bukowski
mergulha na excitação frenética, na insanidade corrosiva das noites
mormacentas e manhãs de névoa poluída da sua amada Los Angeles. Os
contos parecem brotar do seu estômago ulcerado, são jogados ao papel
entre espasmos de delirium tremens e fantasias alcoólicas
disformes. Perto dessas histórias rudes e ríspidas, os contos de outros
autores parecem narrativas de colegiais, que nada têm a ver com o mundo
da maquinaria, com esse gigantesco cemitério de automóveis que nos
envolve e sufoca. Ma ao memos tempo Bukowski é lírico. Seus contos
terminam bruscamente, mas deixam suspensa no ar uma sensação de
dignidade e esperança na raça humana.
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