Nietzsche disse sobre Dostoiévski que este foi o único psicólogo com o qual tivera algo a aprender. De facto, o escritor russo foi um brilhante analista da interioridade humana, construindo personagens com grande profundidade psicológica e analisando as suas motivações, paixões e tormentos. Sempre sombrio nos universos que constrói, sempre desconfiado da bondade do Homem, Dostoiévski apresenta através das suas personagens a sua própria visão sobre os aspetos fundamentais da natureza humana. Em Crime e Castigo, estes aspetos são a moral, a consciência, a ideia de grandeza e finalmente a redenção. Raskólnikov, o protagonista, é um jovem estudante que vive à beira da miséria em São Petersburgo. Inteligente, formulou num momento de ócio uma teoria que o moveria à ação: Se figuras históricas como Júlio César ou Napoleão, cujos atos foram responsáveis por milhares de mortes, foram absolvidas pela história, porque não poderia ele roubar e matar uma detestável agiota? Deixando esta ideia guiar a sua conduta, Raskólnikov concretiza o seu plano, assassinando brutal e impiedosamente a velha e a sua irmã. O seu drama psicológico começa quando se vê consumido pela culpa e incapaz de prosseguir a sua vida. É Sónia, uma jovem prostituta, que lhe inspirará a confissão sem a qual a sua consciência não poderia ser aliviada.
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