“As redes de pescar palavras são feitas de palavras.” Com alguma licença
poética, a sentença de Octavio Paz sobre a natureza ao mesmo tempo
fugidia e inescapável da linguagem verbal poderia servir de divisa ao
novo livro de Luiz Costa Lima. A ficção e o poema é uma formidável
viagem de circum-navegação dos mares da poesia e da filosofia da
linguagem, orientada pelos instrumentos da teoria da literatura e da
linguística. Desde os livros publicados no início de sua prolífica carreira de
crítico, historiador e professor – é autor de mais de cinquenta volumes,
além de muitas dezenas de artigos, capítulos e textos para a imprensa -, o leitmotiv da mímesis
perpassa as reflexões de Costa Lima sobre o “quem” da linguagem
literária. Segundo o caminho trilhado em trabalhos anteriores como Vida e
mímesis (1995) e Mímesis: desafio ao pensamento (2000), o autor
revisita alguns dos principais teóricos da operação mimética:
Aristóteles, Freud, Kant, Platão, Heidegger, Benjamin, Derrida. A partir
das questões suscitadas nos diálogos com esses gigantes, Costa Lima se
volta para a poesia moderna e sua prospecção dos cambiantes limites
entre realidade e representação. No final do percurso, certeiras
leituras de poemas de Antonio Machado, W. H. Auden, Paul Celan e
Sebastião Uchoa Leite fecham o circuito analítico, indicando novos
caminhos para a crítica literária no século XXI.
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