Cem quilos de ouro reúne doze matérias jornalísticas assinadas
por Fernando Morais ao longo de uma carreira de quase quarenta anos.
Escritas para os maiores veículos de comunicação do país, elas são uma
amostra do trabalho de um autor que, como escreve Ricardo Setti na
orelha do livro, tem "sangue, nervos, vísceras e alma de repórter".
Reunidas e comentadas pelo próprio autor em breves making of escritos especialmente para o livro, as reportagens constituem uma verdadeira aula de jornalismo. O texto que dá nome ao livro trata do seqüestro do empresário Guilherme
Affonso Ferreira, o Willy, ocorrido na Bahia em 1988 (época em que esse
tipo de crime ainda era raro no Brasil). Willy ficou cinco dias em poder
dos seqüestradores, que exigiram cem quilos de ouro para libertar o
refém. A reportagem "O sonho da Transamazônica acabou" foi escrita quatro anos
depois de Morais ter ganho o Prêmio Esso por uma reportagem pioneira
sobre a rodovia, feita em 1970. Em 1974, o repórter percorreu 5296
quilômetros da estrada, desde João Pessoa, na Paraíba, até Cruzeiro do
Sul, na fronteira do Acre com o Peru. O livro conta ainda com matérias sobre a guerrilha nicaragüense Frente
Sandinista de Libertação Nacional, publicada em 1978; uma longa
entrevista com frei Betto, de 1992; uma reportagem sobre o dia-a-dia do
então presidente Fernando Collor de Mello em 1992 e um perfil do
ex-presidente em 1995; uma entrevista sobre Assis Chateaubriand com
Rubem Braga, Otto Lara Resende e Moacir Werneck de Castro, publicada em
1999; e, entre outras matérias, reportagens que o autor fez em Cuba, na
década de 70, primeiros esboços do trabalho que culminaria no livro A Ilha.
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