Para George Orwell, nada substituía a experiência direta da vida. E foi
com base na vivência pessoal e na observação crítica do mundo que ele
escreveu ensaios, artigos e crônicas ao longo de toda a vida. Alguns dos
mais representativos desses textos estão reunidos em Como morrem os pobres e outros ensaios. Na primeira seção do livro, por exemplo, estão os relatos e reflexões de
Orwell sobre sua vivência pessoal como sem-teto, colhedor boia-fria de
lúpulo, presidiário e paciente de um hospital público. Em outra parte
enfeixam-se seus vigorosos artigos sobre o uso da linguagem verbal no
romance, na poesia, na propaganda política e no jornalismo. A gama de interesses do escritor é inesgotável. Com a mesma verve e
conhecimento de causa, ele fala sobre temas graves, como a hipocrisia
intelectual, ao lado de assuntos mais leves e aparentemente até fúteis,
como os trajes da elite britânica e o gosto do cidadão inglês por crimes
sensacionalistas. De todos os tópicos, sejam grandes ou pequenos, Orwell extrai revelações
sobre a estrutura da sociedade, as mudanças nos costumes, as
transformações profundas operadas na Inglaterra e no mundo na primeira
metade do século XX.
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