O papel do espaço em relação à sociedade tem sido freqüentemente minimizado pela Geografia. Esta disciplina considerava o espaço mais como teatro das ações humanas. Lucien Fèbvre salientava que o encaminhamento dos geógrafos parte em geral do solo e não da sociedade. Isso porque, como lembra R. E. Pahl, a Geografia Social desenvolveu-se lentamente. Pode-se dizer que a Geografia se interessou mais pela forma das coisas do que pela sua formação. Seu domínio não era o das dinâmicas sociais que criam e transformam as formas, mas o das coisas já cristalizadas, imagem invertida que impede de apreender a realidade se não se faz intervir a História. Se a Geografia deseja interpretar o espaço humano como o fato histórico que ele é, somente a história da sociedade mundial, aliada à da sociedade local, pode servir como fundamento à compreensão da realidade espacial e permitir a sua transformação a serviço do homem. Pois a História não se escreve fora do espaço e não há sociedade a-espacial. O espaço, ele mesmo, é social.
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