Desde há algumas décadas (principalmente depois dos movimentos feministas), os estudiosos dos gender studies têm se preocupado, sobretudo no mundo ocidental euro-americano, em compreender a misoginia (isto quer dizer, a crença em volta de uma possível inferioridade da mulher) como um conceito sociocultural, o que vem também despertando o interesse psicossocial em relação a este tema. Contudo, tais tipos de estudos, no espaço africano, apesar de virem numa linha crescente de debates e desdobramentos, necessitam, tal como aponta a análise arguta e feminista de Oyèrónké Oyewùmí (2005, pp. 138-139)1, de um olhar diferenciado, porque a relação do corpo com as mulheres no contexto africano teria uma outra dinâmica; por isso, aplicar as teorias europeias neste contexto seria um facto incongruente. Tais embates são ainda tão sensíveis que, por exemplo, Desiree Lewis chama a atenção para que as escritoras africanas tomem para si o seu discurso, com um propósito que venha ao encontro das causas feministas, como uma maneira de conscientização e luta das mulheres.
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