Este trabalho analisou as funções atribuídas à vontade e à virtude na
história da teoria das formas de governo em relação com a possibilidade
de participação do povo no poder com o objetivo de compreender as
funções que tais conceitos recebem no Contrato Social de Jean-Jacques
Rousseau para possibilitar a participação do povo no processo de
decisões políticas. A análise partiu de quatro pilares, a teoria das
formas de governo, a ideia do bem comum, a ideia de tirania do povo e o
que foi chamado de núcleo argumentativo da filosofia política. Através
da comparação de diversos autores divididos por épocas, chegamos aos
núcleos argumentativos de cada época. Mostramos que o núcleo
argumentativo da filosofia política antiga compõe-se de uma sociedade
hierarquizada, na qual apenas aqueles que obtêm a virtude podem, através
das leis, conduzir a sociedade ao bem comum; que os pensadores romanos
já começaram a introduzir a ideia de freio do poder no núcleo antigo;
que o núcleo medieval realiza uma pequena alteração no núcleo antigo,
identificando a virtude com a vontade de Deus, colocando, desta forma, a
Igreja Católica acima dos poderes terrenos, como detentora da virtude;
que a transição do núcleo medieval para o moderno começou ainda no
medievo a se aprofundou através da desconfiança na virtude, da
valorização da vontade terrena e do ataque à virtude da Igreja; que o
núcleo moderno começa a se formar através da ideia de um mecanismo capaz
de permitir que a vontade governe em direção ao bem comum, terminando
por formar um mecanismo composto por três poderes, sistema de freio do
poder, estado de legalidade, direitos naturais e vontade na centralidade
do núcleo. Concluímos que as tendências modernas que levam à formação
do núcleo moderno atingem seu ápice no pensamento de Rousseau, que
desenvolve o conceito de vontade geral e um mecanismo de expressão desta
capaz de harmonizar a participação de todo o povo no poder com a
máquina política, o bem comum e a ideia de tirania do povo.
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