O Anticristo foi redigido em 1888, mas Nietzsche não chegou a
acompanhar a publicação, pois, como se sabe, ficou demente no início de
1889. A obra saiu apenas em 1895, editada por sua irmã, que expurgou
algumas passagens. Em quase todos os seus livros Nietzsche discute a religião e a moral cristãs, mas é em O Anticristo
que essa discussão alcança a forma mais desinibida e polêmica. Ele faz
uma reinterpretação do cristianismo inicial, distinguindo entre o que
teria sido Jesus de Nazaré e a interpretação que o apóstolo Paulo fez,
algum tempo depois, da figura e dos ensinamentos de Jesus. Para
Nietzsche, foi são Paulo quem transformou Jesus em Cristo, foi ele o
verdadeiro inventor do cristianismo. O livro oferece, entre outras coisas, uma crítica do conceito cristão de
Deus, uma análise do tipo psicológico do Salvador, uma psicologia da fé
e dos crentes, uma comparação entre o budismo e o cristianismo,
envolvendo uma concepção bastante heterodoxa sobre a natureza do
cristianismo. No final, este é condenado como uma religião niilista e
negadora da sexualidade, ou seja, contrária aos valores vitais. Os Ditirambos de Dionísio são nove poemas "inspirados" pelo deus Dionísio, que para Nietzsche simbolizava o oposto dos valores cristãos.
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