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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Maria Cristina Hennes Sampaio - Democracia, Cidadania E Produção De Um Espaço Público Democrático Em Tempos De Globalização














O presente trabalho situa-se no âmbito dos significados de práticas discursivas inscritas em discursos institucionais sobre o movimento grevista dos trabalhadores em educação no estado de Pernambuco, na “Nova República” (1987 a 1990). São analisadas as práticas discursivas de três atores sociais: o Governo Miguel Arraes, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação e a Mídia. Estudou-se o processo pelo qual relações mais amplas de dominação política perpassam as práticas discursivas no âmbito institucional, procurando-se observar as características e as formas do intercurso social pelo qual o significado é realizado: as estratégias discursivas que as classes mobilizam na luta de classes para transformar seus projetos sociais em práticas discursivas socialmente relevantes para a viabilização desses projetos; como as práticas discursivas se formam e transformam no interior do interdiscurso; as posições de enunciação ocupadas pelos diferentes locutores nos discursos sobre o movimento grevista e a forma como tais posições determinam a constituição de práticas discursivas. Os corpora foram descritos e interpretados com base nos seguintes pressupostos teórico-metodológicos:  de uma análise quantiqualitativa (lexical, textual e discursiva); das idéias sobre dialogismo, interdiscurso e memória discursiva; do conceito de condições de produção na perspectiva de práticas discursivas e do processo de mudanças nas práticas políticas e econômicas na compressão de um tempo histórico no qual se situa a evolução do capitalismo e de espaços físicos e simbólicos através dos quais expressa e exercita seu poder;  da formação de classes enquanto um processo de capacitação para a luta pelos seus interesses. Foram identificados e descritos: as formas de representação da diferença e da alteridade bem como as posições enunciativas e os papéis ocupados por cada um dos atores sociais no espaço de interlocução dos discursos institucionais sobre a greve, na perspectiva de tempo e de espaço de uma memória discursiva; os campos discursivos político e econômico e os espaços da (re)produção, da cidadania e o histórico. Concluiu-se que:  as práticas discursivas do Sindicato, reivindicando o direito à participação na gestão governamental, ao contrário do Governo, politizaram o espaço de produção discursiva tanto do ponto de vista simbólico – pela ampliação da compreensão responsiva da cidadania – como prático – em direção a uma transformação das relações sociais políticas entre Estado e trabalhadores; a luta entre o movimento grevista e o Governo não resultou em conquistas econômicas mas favoreceu a capacitação organizativa e política dos trabalhadores; a relação estabelecida entre Governo-Sindicato não favoreceu a ampliação da democracia no sentido de possibilitar a participação dos trabalhadores na administração pública; a ação sindical não conseguiu mobilizar uma opinião pública favorável ao movimento grevista;  o papel da Mídia consistiu muito mais em articular um jogo de poder e de controle do espaço público midiático do que contribuir para a sua democratização; o espaço público de livre debate não se limita, necessariamente, ao espaço midiático: ele é um espaço fragmentado que dá lugar à existência  de diversos outros espaços públicos na vida social: profissional, associativa, sindical e popular.

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