O romance A Normalista, de autoria de Adolfo Caminha, teve sua publicação no ano de 1893. A obra, considerada uma das mais naturalistas da literatura brasileira, aborda assuntos como libido, traição, relações familiares, sexo, adultério e incesto. O escritor apresenta seus personagens de forma autêntica, sem cobri-los de qualquer tipo de louvor ou virtude moral. Outra característica presente em A Normalista é o regionalismo, apresentando a cidade de Fortaleza (Ceará) como cenário para o desenrolar do romance. As ações do livro ocorrem, em sua maioria, em locais fechados e simples. O autor descreve com riqueza de detalhes o panorama regional do passado. De acordo com alguns críticos literários, a fixação vigorosa do texto nos caracteres e temperamentos, além da ilustração fiel da vida provinciana, fizeram o livro se sobressair perante outras obras de sua época. Adolfo Caminha coloca-se em uma posição inovadora na literatura, tendo em mente a obra de ficção como uma forma de preparar os leitores culturalmente e lhes propiciar momentos de prazer. Rompendo com os paradigmas de sua época, apresenta personagens femininos como Lídia, que consegue um lugar na sociedade após o estudo de diversos livros em casa. Contrastando com Lídia, há no romance Maria do Carmo, que foi educada em colégio religioso e não tinha o costume da leitura. Ela acabou se deixando seduzir por seu padrinho. Outro elemento importante é a subversão social da sociedade do Ceará em 1900.
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