As crônicas reunidas neste livro, escritas entre 1941 e 1966, tocam
temas díspares, mas fascinantes: o pós-guerra, um desenho de Carlos
Scliar, a avenida Atlântica, Hollywood, o assassinato de dez mil
pintinhos pelo Ministério da Agricultura, um batizado na Penha, o amor à
pátria, a morte de Cecília Meireles, uma “saison” em Caxambu. O
cotidiano aqui aparece emaranhado, desconexo, caótico como de fato são
os acontecimentos. Vinicius de Moraes sabe que a função do cronista não é
a mesma de um administrador, que conecta, limpa e arquiva o mundo real.
Ao contrário, ao retratista não cabe escolher o que a realidade lhe
oferece, nem discriminar imagens ou acontecimentos. Cabe, sim, pôr-se a
serviço do confuso trançado de fatos que compõem o cotidiano e não
sucumbir à ânsia de colocar, precocemente, ordem na casa – pois os fatos
se ajeitam e se moldam por si mesmos, ou simplesmente se perdem na
espiral do tempo.
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