Arte e filosofia estão historicamente ligadas. Didatismo, romantismo e
classicismo são os esquemas possíveis de ligação entre a arte e a
filosofia; a educação dos indivíduos, mormente, da juventude é o
terceiro termo desta ligação. No didatismo a filosofia liga-se à arte
através de uma vigilância educativa da sua destinação extrínseca para o
verdadeiro. No romantismo, a arte realiza na finitude toda a educação
subjetiva de que a infinitude filosófica da ideia é capaz. No
classicismo, a arte capta o desejo e educa a sua transferência pela
proposição de uma aparência do objeto. A filosofia é aqui convocada
enquanto estética dando o seu parecer sobre as regras do "agradar".
Segundo o autor, o que caracteriza este século decadente é que tendo
experimentado a saturação destes três esquemas, ele não introduziu, em
simultâneo, um novo esquema. O que tende a produzir uma espécie de
desligação dos termos, uma desconexão entre arte e filosofia e a queda
pura e simples do que circulava entre elas: o tema educativo. Daí,
decorre a tese em torno do qual este pequeno trabalho de Badiou
representa uma série de variações: face a uma tal situação de saturação e
de encerramento, impõe-se tentar propor um novo esquema, um quarto modo
de ligação entre a filosofia e a arte.
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