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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Georges Bataille - O Erotismo














O erotismo parece ter perdido um sentido positivo em nossos tempos. Hoje em dia, o senso comum atribui ao ato erótico uma sensualidade ligada à pornografia, que se veicula a uma ultra-exposição de um processo sexual, exposto translucidamente, que leva diretamente a satisfação do prazer e, por fim, a uma “perda” do evento erótico. Georges Bataille, na década de 30, se apropriou desta perda para refaze-la em outras configurações e tornou o erotismo não uma negatividade, mas uma positividade (mesmo que negativa). O erotismo para ele é, então, o processo contínuo da vida, potência. O Erotismo, de Georges Bataille, é uma obra filosófica deste escritor francês que busca pensar a categoria erótica como uma marca da “vida interior” do homem. Assim, ele não é algo que se coloca “por fora”, mas que busca, por dentro, uma continuidade impossível. Assim, a obra mapeia diversas questões do século XIX e XX, passando por instâncias que sempre tiveram representadas como sendo “humanas”, a fim de recoloca-las a partir do que ele chamaria de “significação”. Sua ideia de dispêndio improdutivo, ou seja, o desperdício, a perda, aquilo que se esvai para o nada é base para esse pensamento, na medida em que o gozo erótico é aquilo que não pode cessar de perder e que não deve, jamais buscar um acúmulo.

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