O erotismo parece
ter perdido um sentido positivo em nossos tempos. Hoje em dia, o senso
comum atribui ao ato erótico uma sensualidade ligada à pornografia, que
se veicula a uma ultra-exposição de um processo sexual, exposto
translucidamente, que leva diretamente a satisfação do prazer e, por
fim, a uma “perda” do evento erótico. Georges Bataille, na década de 30,
se apropriou desta perda para refaze-la em outras configurações e
tornou o erotismo não uma negatividade, mas uma positividade (mesmo que
negativa). O erotismo para ele é, então, o processo contínuo da vida,
potência. O Erotismo, de Georges Bataille,
é uma obra filosófica deste escritor francês que busca pensar a
categoria erótica como uma marca da “vida interior” do homem. Assim, ele
não é algo que se coloca “por fora”, mas que busca, por dentro, uma
continuidade impossível.
Assim, a obra
mapeia diversas questões do século XIX e XX, passando por instâncias que
sempre tiveram representadas como sendo “humanas”, a fim de
recoloca-las a partir do que ele chamaria de “significação”. Sua ideia
de dispêndio improdutivo, ou seja, o desperdício, a perda, aquilo que se
esvai para o nada é base para esse pensamento, na medida em que o gozo
erótico é aquilo que não pode cessar de perder e que não deve, jamais
buscar um acúmulo.
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