Publicado em 1928, o texto de estreia de Georges Bataille (1897-1962)
inscreve-se definitivamente na história literária do século XX. Num
registro surrealista dissidente do célebre grupo francês, a novela
acompanha as descobertas, feitos e extravagâncias sexuais do narrador e
de sua amiga Simone, dois jovens que vivem magicamente à margem da
censura adulta, percorrendo um cenário de sonhos. O livro faz da
história libertina um veículo de revelações profundas sobre o corpo, a
vida e a morte. Sua dimensão libertária, inconformista e inovadora
justifica uma longa linhagem de admiradores e discípulos que inclui
Roland Barthes, Maurice Blanchot, Yukio Mishima, Raymond Queneau e
Michel Foucault.
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sábado, 22 de outubro de 2016
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Georges Bataille - O Erotismo
O erotismo parece
ter perdido um sentido positivo em nossos tempos. Hoje em dia, o senso
comum atribui ao ato erótico uma sensualidade ligada à pornografia, que
se veicula a uma ultra-exposição de um processo sexual, exposto
translucidamente, que leva diretamente a satisfação do prazer e, por
fim, a uma “perda” do evento erótico. Georges Bataille, na década de 30,
se apropriou desta perda para refaze-la em outras configurações e
tornou o erotismo não uma negatividade, mas uma positividade (mesmo que
negativa). O erotismo para ele é, então, o processo contínuo da vida,
potência. O Erotismo, de Georges Bataille,
é uma obra filosófica deste escritor francês que busca pensar a
categoria erótica como uma marca da “vida interior” do homem. Assim, ele
não é algo que se coloca “por fora”, mas que busca, por dentro, uma
continuidade impossível.
Assim, a obra
mapeia diversas questões do século XIX e XX, passando por instâncias que
sempre tiveram representadas como sendo “humanas”, a fim de
recoloca-las a partir do que ele chamaria de “significação”. Sua ideia
de dispêndio improdutivo, ou seja, o desperdício, a perda, aquilo que se
esvai para o nada é base para esse pensamento, na medida em que o gozo
erótico é aquilo que não pode cessar de perder e que não deve, jamais
buscar um acúmulo.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Georges Bataille - A Literatura E O Mal
Em termos literários, talvez ninguém melhor que o escritor francês
Georges Bataille, na obra A literatura e o mal, para explicar a
significação estética que o mal adquire na escrita. Bataille acompanhou
os desfechos das duas grandes guerras mundiais e, ao prefaciar a sua
citada obra, definiu-se como pertencente a uma geração tumultuosa que
buscou testar todos os limites da linguagem por meio do surrealismo. De
acordo com o escritor, a literatura é uma forma de comunicação e, assim
sendo, o mal tem a função de intensificar essa comunicação. De acordo com Georges Bataille, se o autor tem algum intuito de
transmitir uma forma de conhecimento do mundo por meio da literatura
deve ser o mais honesto possível. Se a razão ocidental fundou uma
sociedade alicerçada por valores restritos aos cálculos de interesses
pessoais, os temas da selvageria, bem como os da violência física e
simbólica contra o outro, que aparecem transfigurados na literatura,
podem servir para o escritor denunciar a cumplicidade do leitor ou de
forçá-lo a tomar uma atitude em face do mal.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Georges Bataille - Teoria Da Religião
Uma filosofia é uma soma coerente ou não é, mas ela exprime o indivíduo, não a humanidade indissolúvel. Ela deve manter, em conseqüência, uma abertura para os desenvolvimentos que se seguirão, no pensamento humano... onde aqueles que pensam, na medida em que rejeitam sua própria alteridade, aquilo que não são, já estão imersos no esquecimento universal. Uma filosofia jamais é uma casa, mas um canteiro de obras. Mas seu inacabamento não é o da ciência. A ciência elabora uma porção de partes completas e os vazios aparecem apenas no conjunto. Ao passo que, no esforço de coesão, o inacabamento não está limitado às lacunas do pensamento — sobre todos os pontos, sobre cada ponto, está a impossibilidade do estado último.
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