Sra. Ramsay, uma mulher madura, bela, maternal e serena; sr. Ramsay, um
renomado e árido filósofo; os filhos e criados do casal; Lily Briscoe,
amiga da família e aspirante a pintora. Todos estão passando o verão na
Ilha de Skye, na Escócia, cercados por outros amigos e conhecidos. James
Ramsay, de seis anos, anseia por um prometido passeio ao farol da ilha,
enquanto recorta figuras de um catálogo na companhia da mãe. Com
essa cena de abertura, em si trivial, Virginia Woolf construiu um dos
mais influentes romances do século XX, segundo críticos e leitores.
Publicado em 1927, quando Woolf era já uma crítica respeitada e autora
de alguns livros (entre os quais Mrs. Dalloway, de 1925 – o primeiro da
sua tríade experimental, que seria completada com As ondas, em 1931), Passeio Ao Farol é um romance rico, multifacetado, cujos vários e combinados
aspectos compõem a marca da grande obra-prima. Por um lado, representa
ricamente seu tempo, revelando a vida de uma família inglesa abastada, a
ameaça soturna da guerra, a tensão subjacente às relações familiares e
os conflitos entre homens e mulheres; por outro lado, constitui-se numa
delicada e pungente filigrana ficcional, sobre a inevitabilidade da
passagem do tempo e da morte; propõe uma jornada ao interior da
consciência dos personagens, num novo estilo narrativo; e, por último,
como é próprio das grandes realizações artísticas, reflete sobre a
própria natureza da arte. A narrativa divide-se em dois momentos:
1910 e 1920 – antes e depois da guerra que assolaria a Europa. A ênfase
na introspecção filosófica, no explorar das emoções inconscientes e a
manipulação hábil de elementos narrativos estabelecem um novo paradigma
no tratamento literário do tempo e da memória. Da mesma linhagem da
literatura de Proust e James Joyce, Passeio Ao Farol ocupa o lugar de monumento
literário da modernidade, e sua influência ecoa até hoje nas mais
diversas formas de arte.

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