Em trabalho primoroso, o crítico e poeta Leonardo Fróes selecionou e
traduziu 28 ensaios de Virginia Woolf, a maior parte inédita no Brasil.
Os textos foram produzidos entre 1905 e 1940, publicados originalmente
como artigos para jornais e revistas com os quais Virginia colaborava.
Neles, é possível verificar o mesmo talento da ficcionista, agora
aplicado a outro gênero, através do qual vemos uma Virginia mais
mundana, voltada para os movimentos exteriores: eis aqui uma observadora
afiada, resenhista destemida, além de crítica perspicaz e militante. Em
“Mulheres e ficção”, por exemplo, a autora avalia a evolução da escrita
feminina em paralelo à própria libertação da mulher. Em “Batendo pernas
nas ruas: uma aventura em Londres”, a compra de um simples lápis se
transforma numa forte experiência de abertura ao mundo. Há também
ensaios que traçam perfis de mulheres fascinantes, das mais conhecidas –
como Jane Austen, Sara Bernhardt e Dorothy Wordsworth – até as
esquecidas Lady Elizabeth Holland e Louise de La Valière. Em outros
textos, Virginia trata – e muitas vezes põe em xeque – dos ofícios das
letras; é o caso de “Como se deve ler um livro?”, “O leitor comum”, “A
arte da biografia” e os corajosos “Resenhando” e “Ficção moderna”.
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quarta-feira, 9 de novembro de 2016
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Virginia Woolf - O Sol E O Peixe: Prosas Poéticas
“Aquários recortados na uniforme escuridão encerram regiões de
imortalidade, mundos de luz solar constante onde não há chuva nem
nuvens. Seus habitantes fazem, sem parar, evoluções cuja complexidade,
por não ter nenhuma razão, parece ainda mais sublime. Exércitos azuis e
prateados, mantendo uma distância perfeita apesar de serem rápidos como
flecha, disparam primeiro para um lado, depois para o outro. A
disciplina é perfeita, o controle, absoluto; a razão, nenhuma. A mais
majestosa das evoluções humanas parece fraca e incerta comparada com a dos peixes.” É Virginia Woolf, em “O sol e o peixe”, ensaio que dá título à
presente coletânea, na qual se reúnem nove de suas prosas mais poéticas.
Nelas, Virginia contrasta a visão de um eclipse total do sol com a dos
peixes num aquário de Londres; discorre sobre Montaigne e sobre a paixão
da leitura; relembra, em traços delicados e comoventes, a convivência
com o pai; teoriza sobre a nascente arte do cinema e sobre as relações
entre a literatura e a pintura; enaltece as paradoxais vantagens de se
ficar doente; celebra as belezas naturais de Sussex e as delícias
urbanas de uma caminhada fortuita por Londres. Eis aqui Virginia, em
toda a força poética de sua prosa.
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sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Virginia Woolf - Um Teto Todo Seu
Baseado em palestras proferidas por Virginia Woolf nas faculdades de
Newham e Girton em 1928, o ensaio Um teto todo seu é uma reflexão acerca
das condições sociais da mulher e a sua influência na produção
literária feminina. A escritora pontua em que medida a posição que a
mulher ocupa na sociedade acarreta dificuldades para a expressão livre
de seu pensamento, para que essa expressão seja transformada em uma
escrita sem sujeição e, finalmente, para que essa escrita seja recebida
com consideração, em vez da indiferença comumente reservada à escrita
feminina na época.
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Virginia Woolf - Orlando
Nascido no seio de uma família de boa posição em plena Inglaterra
elisabetana, Orlando acorda com um corpo feminino durante uma viagem à
Turquia. Como é dotado de imortalidade, sua trajetória então atravessa
mais de três séculos, ultrapassando as fronteiras físicas e emocionais
entre os gêneros masculino e feminino. Suas ambiguidades, temores,
esperanças, reflexões - tudo é observado com inteligência e
sensibilidade nesta narrativa que, publicada originalmente em 1928,
permanece como uma das mais fecundas discussões sobre a sexualidade
humana. A um só tempo cômico e lírico, Orlando mostra o trajeto do
personagem entre embates com armas brancas, acalorados debates
filosóficos no século XVIII, a maternidade e até mesmo num volante a
bordo de um automóvel. Tudo isso vem costurado pela prosa luminosa de
Woolf nesta que é uma das grandes declarações de amor da literatura
ocidental. Esta edição inclui introdução e notas de Sandra Gilbert, especialista em
estudos de gênero e literatura inglesa, e uma brilhante crônica-ensaio
de Paulo Mendes Campos, um dos grandes leitores brasileiros da obra de
Virginia Woolf.
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terça-feira, 2 de agosto de 2016
Virginia Woolf - Flush: Memórias De Um Cão
Virginia Woolf era uma escritora consagrada quando concebeu Flush, em
1931: já tinha publicado o livro de ensaios A room of one’s one (1928),
assim como os romances A viagem (1915), Noite e dia (1919), O quarto de
Jacob (1922), Mrs. Dalloway (1925), Passeio ao farol (1927) e Orlando
(1928). Mas em 1931, em pleno verão inglês, deparou-se com a figura de
um cão inusitadamente vivo e esperto que brotava da correspondência
entre os célebres poetas vitorianos Elizabeth Barrett e Robert Browning.
"A imagem do cachorro deles me fez rir tanto que não pude deixar de
dar-lhe vida", confessou ela a uma amiga para explicar a gênese do seu
mais bem-humorado livro. Deu-lhe não apenas uma vida, mas
aventuras, amores, uma consciência e capacidade de expressão. Publicado
pela primeira vez na Inglaterra em outubro de 1933, Flush é a deliciosa e
inusitada biografia de um cão. Mostra aventuras e mistérios da
existência percebidos através dos olhos do melhor amigo do homem. O
personagem central dessa história é um cocker spaniel de origem inglesa,
Flush. Em pleno processo de apreensão do mundo e de si mesmo, ele ama
tanto os raios de sol quanto um pedaço de rosbife, a companhia de
cadelinhas malhadas assim como a companhia de seres humanos, o cheiro de
campos abertos tanto quanto ruas cimentadas e o burburinho da cidade.
De quebra, Virginia Woolf aproveita para tecer, em estilo
deliciosamemente espirituoso e bem-humorado, ácidos comentários sobre a
sociedade inglesa e vitoriana e seus valores. O gênio criativo da
autora permitiu que fosse dada à inusitada idéia de uma biografia
canina um tratamento virtuosístico. Embora Virginia já fosse uma
unanimidade entre a crítica, foi Flush o seu romance com maior êxito
entre os leitores, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos.
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Virginia Woolf - As Ondas
As Ondas é considerado o melhor e o mais radical romance de Virginia
Woolf – um desses raros escritores que nasceu no "instante em que uma
estrela se pôs a pensar". Marguerite Yourcenar, sua tradutora francesa,
descreveu assim este romance: "As Ondas é um livro com seis personagens,
ou melhor seis instrumentos musicais, pois consiste unicamente em
monólogos interiores, cujas curvas se sucedem e entrecruzam com uma
segurança que lembra A Arte da Fuga de Bach. Nesta narrativa musical, os
breves pensamentos de infância, as rápidas reflexões sobre os momentos
de juventude e de confiante camaradagem desempenham o mesmo papel dos
allegros nas sinfonias de Mozart, abrindo espaço para os lentos andantes
dos imensos solilóquios sobre a experiência, a solidão e a maturidade.
Tanto como uma meditação sobre a vida, As Ondas são um ensaio sobre a
solidão. Trata-se de seis crianças, três raparigas, Rhoda, Jinny e
Susan; e de três rapazes, Louis, Neville e Bernard, que vemos crescer,
diferenciarem-se e envelhecer. Uma sétima criança, que nunca toma a
palavra e que só conhecemos através dos outros, é o centro do livro ou
melhor o seu coração." Mais que uma música admirável que a imaginação
oferece à inteligência, As Ondas é um livro sobre a impossibilidade do
ser.
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segunda-feira, 25 de julho de 2016
Virginia Woolf - Noite E Dia
Segundo romance de Virginia Woolf, foi publicado em 1919, quando ela
estava com 37 anos. Experimentalista por excelência, o livro atira o
leitor dentro de uma sociedade, seus costumes, sua linguagem, num jogo
de poder e contestação. Trata-se de uma trama de amor entre Katherine
Hilbery e Ralph Denham – advogado, intelectual e burguês. O enredo se
desenrola num estilo ao mesmo tempo sólido e puro, e segue linhagem da
tradição inglesa de grandes novelistas como Jane Austen, Charlotte
Brontë e George Eliot.
sábado, 30 de abril de 2016
Alexandra Lemasson - Virginia Woolf
“Não quero ser célebre nem grande. Quero avançar, mudar, abrir meu
espírito e meus olhos, recusar ser rotulada e estereotipada. O que conta
é liberar-se por si mesma, descobrir suas próprias dimensões, recusar
os entraves.” Virginia Woolf Para Virginia Woolf (1882-1941), os livros
eram o único refúgio, e a literatura, a única salvação. Uma das maiores
romancistas de seu tempo, fundou juntamente com o marido uma das mais
influentes editoras britânicas do século XX, a Hogarth Press, que se
notabilizou por publicar autores como Katherine Mansfield e Freud. Foi
também na casa de Virginia que aconteceram as primeiras reuniões do
famoso grupo de Bloomsbury, que influenciaria a intelectualidade da
época. A autora de Mrs. Dalloway viveu e escreveu atormentada por
alucinações e por sucessivas crises depressivas. Em março de 1941,
decidiu abreviar a vida deixando-se levar pelas águas geladas do rio
Ouse.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Virginia Woolf - Passeio Ao Farol
Sra. Ramsay, uma mulher madura, bela, maternal e serena; sr. Ramsay, um
renomado e árido filósofo; os filhos e criados do casal; Lily Briscoe,
amiga da família e aspirante a pintora. Todos estão passando o verão na
Ilha de Skye, na Escócia, cercados por outros amigos e conhecidos. James
Ramsay, de seis anos, anseia por um prometido passeio ao farol da ilha,
enquanto recorta figuras de um catálogo na companhia da mãe. Com
essa cena de abertura, em si trivial, Virginia Woolf construiu um dos
mais influentes romances do século XX, segundo críticos e leitores.
Publicado em 1927, quando Woolf era já uma crítica respeitada e autora
de alguns livros (entre os quais Mrs. Dalloway, de 1925 – o primeiro da
sua tríade experimental, que seria completada com As ondas, em 1931), Passeio Ao Farol é um romance rico, multifacetado, cujos vários e combinados
aspectos compõem a marca da grande obra-prima. Por um lado, representa
ricamente seu tempo, revelando a vida de uma família inglesa abastada, a
ameaça soturna da guerra, a tensão subjacente às relações familiares e
os conflitos entre homens e mulheres; por outro lado, constitui-se numa
delicada e pungente filigrana ficcional, sobre a inevitabilidade da
passagem do tempo e da morte; propõe uma jornada ao interior da
consciência dos personagens, num novo estilo narrativo; e, por último,
como é próprio das grandes realizações artísticas, reflete sobre a
própria natureza da arte. A narrativa divide-se em dois momentos:
1910 e 1920 – antes e depois da guerra que assolaria a Europa. A ênfase
na introspecção filosófica, no explorar das emoções inconscientes e a
manipulação hábil de elementos narrativos estabelecem um novo paradigma
no tratamento literário do tempo e da memória. Da mesma linhagem da
literatura de Proust e James Joyce, Passeio Ao Farol ocupa o lugar de monumento
literário da modernidade, e sua influência ecoa até hoje nas mais
diversas formas de arte.
domingo, 20 de setembro de 2015
Virginia Woolf - Mrs. Dalloway
Toda a história do romance se passa num único
dia, em junho de 1923, em que Clarissa Dalloway resolve ela mesma
comprar flores para a festa que vai oferecer logo mais, à noite, em sua
casa. A partir desta cena inicial, o romance segue a protagonista pelas
ruas de Londres num ritmo cinematográfico, registrando suas ações,
sensações e pensamentos. Em torno de Clarissa, gravitam vários
personagens: o marido Richard Dalloway, a filha Elizabeth, um amigo de
juventude que acaba de voltar da Índia, Peter Walsh, com quem ela tem
grande conexão afetiva. Até mendigos que ela encontra na rua e o próprio
Primeiro-Ministro vão entrar na história. Certos personagens atravessam
o caminho de Clarissa, sem que ela se dê conta, e passamos a segui-los.
É o caso de Septimus Warren Smith, um ex-combatente da Primeira Guerra
Mundial arruinado pela doença mental. Há simetrias, ressonâncias e descontinuidades, numa trama muito bem
urdida por Virginia Woolf. A autora é prodigiosa na exploração dos
desvãos da consciência e das ambiguidades entre os afetos e as
convenções sociais. Passado e presente se intercalam, e acessamos os
vários planos da subjetividade por meio de um elaborado uso do discurso
indireto livre. Muito já se comentou sobre Mrs. Dalloway, desde que o
livro foi publicado pela primeira vez, em 1925. O romance já foi
considerado impressionista, criticado pela falta de unidade e
reverenciado por ser revolucionário em termos de linguagem. Já se disse
que a obra é incrivelmente contemporânea, fazendo uso de técnicas de
justaposição e montagem, como no cinema. Há quem trate o livro como um
romance feminino. Ou como um brilhante ensaio filosófico. Mrs. Dalloway
também pode ser lido como um documento das transformações sociais e
políticas dos anos 1920, ou como um romance psicológico. Ou mesmo como
uma vibrante história de amor, com final aberto. A última palavra,
evidentemente, é sempre do leitor.
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terça-feira, 21 de julho de 2015
Virginia Woolf - O Quarto De Jacob
O Quarto de Jacob é o livro que marca a passagem de Virgínia Woolf da
literatura tradicional para o universo do experimentalismo, com o qual
acabaria deixando sua revolucionária marca literária. Jacob Flanders é o
personagem central de uma história, que não se revela e nem se conclui.
Nesta obra, não é a ação que conduz a narrativa, mas os tormentos, as
dúvidas, as ambições, e os amores por pessoas e livros, que ditam o rumo
dos acontecimentos. A seqüência dos eventos é apresentada da mesma
forma aparentemente desconexa que rege a mente humana. Traduzido pela
consagrada autora Lya Luft, a obra se mantém repleta de nuances.
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sábado, 21 de fevereiro de 2015
Alexandra Lemasson - Virginia Woolf
"Não quero ser célebre nem grande. Quero avançar,
mudar, abrir meu espírito e meus olhos, recusar ser rotulada e
estereotipada. O que conta é liberar-se por si mesma, descobrir suas
próprias dimensões, recusar os entraves.” Para
Virginia Woolf (1882-1941), os livros eram o único refúgio, e a
literatura, a única salvação. Uma das maiores romancistas de seu tempo,
fundou juntamente com o marido uma das mais influentes editoras
britânicas do século XX, a Hogarth Press, que se notabilizou por
publicar autores como Katherine Mansfield e Freud. Foi também na casa de
Virginia que aconteceram as primeiras reuniões do famoso grupo de
Bloomsbury, que influenciaria a intelectualidade da época. A autora de
Mrs. Dalloway viveu e escreveu atormentada por alucinações e por
sucessivas crises depressivas. Em março de 1941, decidiu abreviar a vida
deixando-se levar pelas águas geladas do rio Ouse.
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