Em trabalho primoroso, o crítico e poeta Leonardo Fróes selecionou e
traduziu 28 ensaios de Virginia Woolf, a maior parte inédita no Brasil.
Os textos foram produzidos entre 1905 e 1940, publicados originalmente
como artigos para jornais e revistas com os quais Virginia colaborava.
Neles, é possível verificar o mesmo talento da ficcionista, agora
aplicado a outro gênero, através do qual vemos uma Virginia mais
mundana, voltada para os movimentos exteriores: eis aqui uma observadora
afiada, resenhista destemida, além de crítica perspicaz e militante. Em
“Mulheres e ficção”, por exemplo, a autora avalia a evolução da escrita
feminina em paralelo à própria libertação da mulher. Em “Batendo pernas
nas ruas: uma aventura em Londres”, a compra de um simples lápis se
transforma numa forte experiência de abertura ao mundo. Há também
ensaios que traçam perfis de mulheres fascinantes, das mais conhecidas –
como Jane Austen, Sara Bernhardt e Dorothy Wordsworth – até as
esquecidas Lady Elizabeth Holland e Louise de La Valière. Em outros
textos, Virginia trata – e muitas vezes põe em xeque – dos ofícios das
letras; é o caso de “Como se deve ler um livro?”, “O leitor comum”, “A
arte da biografia” e os corajosos “Resenhando” e “Ficção moderna”.

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