Nova York, 29 de junho de 1966. No Hospital Maimonides, Brooklin, o
cirurgião Adrian Kantrowitz se prepara para erguer uma carga de peso
monumental -- carregada de risco e de história. Chefe da equipe médica
que buscava realizar o primeiro transplante de coração humano, estava
prestes a tentar um ato antes impensável. Kantrowitz conhecia os mitos e
as advertências. Aristóteles estabeleceu a crença de que "de todas as
vísceras, só o coração não pode suportar uma lesão grave". Ovídio foi
igualmente enfático: nenhum homem podia curar um coração danificado. O
coração era misterioso e sacrossanto. Adrian Kantrowitz não estava só. Era apenas parte de um quarteto
excepcional de cirurgiões cardíacos que, de 1958 a 1968, aventuraram-se
nas profundezas deste terreno não mapeado. Tudo o que Norman Shumway,
Richard Lower, Christiaan Barnard e Kantrowitz almejavam ganha vida em
"Cada Segundo Conta". Donald McRae relata, nesta obra, o esforço
empregado em diversos centros de pesquisa por homens que souberam
perceber o impacto histórico de se ser o primeiro cirurgião a conseguir
transplantar um coração humano. McRae não apenas conta a incrível história do médico sul-africano
Christiaan Barnard que, ao realizar a façanha, tornou-se uma celebridade
internacional. Ilumina as carreiras de Kantrowitz -- o primeiro a usar
vários mecanismos que ajudam o coração a funcionar e que hoje são usados
frequentemente -- e dos mestres Richard Lower e Norman Shumway. O autor
fala da batalha para superar o medo público do desconhecido e até a
antipatia de colegas que os envolveram em confrontos explosivos sobre os
corpos dos pacientes doador e receptor.
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