Escritos em diferentes momentos e circunstâncias da carreira do
pesquisador Alvaro Santos Simões Junior, este conjunto de dez
ensaios trata da produção, circulação e recepção de obras literárias no
Brasil a partir do fim dos anos 1800. O primeiro texto reconstrói
o ambiente em que, na virada século 19 para o século 20, da Monarquia
para a República, do trabalho escravo para o livre, surgiram novas
condições para o trabalho intelectual. O texto seguinte fala de uma
modalidade bem-sucedida de atuação profissional dos escritores daquele
período - as revistas de ano. Enquanto os romancistas seguiam os passos
de Émile Zola e Eça de Queiroz, utilizando linguagem depurada, os
“revisteiros” aderiam à metalinguagem e à paródia, e abusavam da
fantasia, incorporando os variantes regionais e sociais. O
terceiro e o quarto ensaios ainda olham para aquele momento histórico.
Analisam, respectivamente, romances naturalistas brasileiros e notícias a
respeito da morte de Zola, oferecendo, ambos, uma ideia de como era
complexa relação dos intelectuais brasileiros com os amados e,
eventualmente, odiados mestres europeus. O texto seguinte trata da
literatura paradidática da Primeira República, à qual se dedicaram
sistematicamente vários escritores daquele período. Os três
ensaios subsequentes resultaram de investigação do autor sobre a
repercussão do Simbolismo nos periódicos brasileiros e revelam a
importância da imprensa periódica para a divulgação e circulação das
obras literárias: o primeiro analisa um hebdomadário dirigido de 1893 a
1895 por Artur Azevedo; o segundo examina a atuação de Medeiros e
Albuquerque como crítico literário do vespertino A Notícia de 1897 a
1905; o último aborda as intervenções do jovem Paulo Barreto, redator da
Cidade do Rio, jornal de José do Patrocínio, contra o Simbolismo
brasileiro na virada do século. O penúltimo estudo da coletânea
reflete sobre a obra de Ana Cristina Cesar, autora mais representativa
da “geração mimeógrafo”, que criou em pleno regime militar um circuito
independente de produção e circulação de obras literárias. Encerra o
volume um ensaio sobre a obra de Menalton Braff direcionada ao público
jovem.
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