Nas últimas semanas de 1889, a tripulação de um navio de guerra
brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital do Ceilão (atual Sri
Lanka), foi pega de surpresa pelas notícias alarmantes que chegavam do
outro lado do mundo. O Brasil havia se tornado uma república. O império
brasileiro, até então tido como a mais sólida, estável e duradoura
experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história,
desabara na manhã de Quinze de Novembro. O austero e admirado imperador
Pedro II, um dos homens mais cultos da época, que ocupara o trono por
quase meio século, fora obrigado a sair do país junto com toda a família
imperial. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo em
que nascera. Enquanto isso, os destinos do novo regime estavam nas mãos
de um marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da
Fonseca, considerado até então um monarquista convicto e amigo do
imperador deposto.
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