Nos tempos atuais de crescente visibilidade pública dos candomblés,
dos seus registros nos livros de tombo e da retórica de preservação
dos patrimônios culturais afro-brasileiros, não resulta supérfluo lançar
um olhar atento para um passado não tão remoto em que tais práticas de
matriz africana eram ora silenciadas, ora perseguidas e depreciadas porquanto
identificadas com atraso e desvio dos modelos civilizatórios europeus.
Se esse olhar retrospectivo resulta salutar ao constatar o quanto se
avançou, ele também nos alerta para o quanto ainda se precisa avançar,
pois os discursos da intolerância religiosa de ontem se alastram até hoje,
embora em novos púlpitos, com os mesmos efeitos perniciosos. Nesse sentido,
o livro de Edmar Ferreira Santos atinge uma meta que qualquer
pesquisa em história social pode almejar: a de nos permitir compreender
em detalhe a complexidade do passado para, através dele, iluminar os
paradoxos do presente.
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