Este trabalho trata sobre a prática da educação jurídica popular
feminista realizada pelo projeto de Promotoras Legais Populares do
Distrito Federal (PLPs/DF). A pergunta que se busca responder é se este
projeto pode ser considerado como um espaço de construção de Direitos.
No Capítulo 1 é realizado um resgate histórico do projeto de PLPs a
partir da história das lutas das mulheres no Brasil o que possibilita
percebê-lo como continuidade das lutas por reconhecimento dos Direitos
das mulheres presentes na Constituição de 1988. Assim, é apresentado o
projeto “Direitos Humanos e Gênero: Promotoras Legais Populares” da
Faculdade de Direito da UnB utilizado no estudo de caso. No Capítulo 2 é
apresentada a concepção teórica sobre o que é Direito pertencente à
linha O Direito Achado na Rua a qual o projeto estudado se vincula. Esta
concepção possui como marco teórico a produção de Roberto Lyra Filho
que critica as noções de Direito presentes no jusnaturalismo e no
positivismo. Para o autor, o Direito é produto de articulações de grupos
oprimidos na atuação pela destituição de uma realidade injusta que nega
aos indivíduos a sua plena realização. Ao final, é tratado como o
feminismo contribuiu, enquanto teoria e prática, para a construção do
Direito das mulheres no Brasil. No Capítulo 3 é trabalhada a teoria da
pedagogia do oprimido e da oprimida como fundamento da educação jurídica
popular que é pressuposto do projeto de PLPs e que possui como marco
teórico o educador Paulo Freire. Assim, é enfocada a prática pedagógica
voltada para a libertação dos indivíduos e que, dessa forma, busca que
estes na transitividade de sua consciência ingênua para a consciência
crítica percebam a sua condição como sujeitos históricos. Neste capítulo
é apresentado também o método de pesquisa participante utilizado para a
realização do estudo de caso. No capítulo 4 é apresentado o
pressuposto da ação afirmativa em gênero assumido pelo projeto. Ainda,
são apresentados os dados da turma 2011 do curso de PLPS/DF e o método
do curso. Desse modo, é avaliado os desafios do processo educativo para a
desconstituição da cultura do “silêncio”, da auto-desvalia e do medo da
liberdade presentes no grupo de cursistas. Ainda, é demonstrado como o
Fórum de PLPs atua como espaço de formação contínua inserida na práxis e
no fortalecimento da autonomia e da solidariedade entre as mulheres
Assim, no Capítulo 5 é demonstrado o processo de construção do Direito
das mulheres pelo projeto de PLPs/DF por meio do relato das oficinas do
curso. Por fim, se conclui que o projeto, para além de um curso, se
realiza enquanto um movimento social na medida em que, por meio da
práxis, as PLPs atuam na sociedade para a destituição das opressões a
que as mulheres estão submetidas.
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