O livro procura fazer uma ampla abordagem crítica e histórica da fábula a
partir de estudos europeus, americanos e brasileiros, e analisa a
partir daí a disseminação e o aproveitamento do gênero no conjunto da
obra infantil de Monteiro Lobato (1882-1948), além das contribuições do
escritor para essa modalidade narrativa. Para a autora, os
elementos mais consagrados da fábula – as personagens tipificadas, a
narrativa do tipo alegórico, o sentido ético e a metalinguagem presente
em expressões como “moral da história” ou “a fábula mostra” – que,
juntos, estabelecem o que ela chama de “efeito fábula” - estão presentes
em Lobato, mas com um viés literário crítico e até mesmo
“antropofágico”, cujas origens estão em alguns dos livros que ele antes
escreveu para o público infantil. Lobato considerava a produção
anterior e contemporânea destinada a esse público (inclusive a dele
mesmo) demasiadamente pedagógica e autoritária, e de certo momento em
diante planeja sua obra de modo a promover antes a diversão, utilizando
uma linguagem fluida e atualizada e respeitando, sobretudo, o ponto de
vista da criança. No caso da fábula, Lobato lança mão de uma estratégia
ainda mais ousada quando questiona e relativiza a moral e elege a
criança como a avaliadora do texto fabular, com liberdade para aprovar
ou rejeitar a história.
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