A reflexão sobre integridade científica tem nos últimos dez anos, se
tornado reflexo da aguda preocupação da sociedade com a credibilidade da
ciência e com sua responsabilidade de prestar contas aos cidadãos sobre
os resultados, a eficácia e os financiamentos relacionados aos seus
experimentos. No Brasil, nota-se um crescimento dessa preocupação, que,
de algum modo, se reflete nos altos insumos que pesquisadores e
instituições de pesquisa recebem, geralmente da iniciativa privada e de
fontes estrangeiras, para realizar pesquisas nos diversos setores do
conhecimento, sobretudo, relacionados às indústrias farmacêuticas. Para
basear filosoficamente a investigação utilizamos a Teoria do
Reconhecimento de Axel Honneth, segundo a qual os indivíduos se tornam
sujeitos de direitos quando, em uma sociedade, são reconhecidos como
cidadãos responsáveis pelo funcionamento de suas instituições. Sendo
assim, a ciência praticada com verbas públicas, ou mesmo financiada pela
iniciativa privada e por entidades internacionais, tem o dever moral de
reconhecer o cidadão como motor de seus processos e fim de suas
atividades. É importante definir a Teoria do Reconhecimento como um
instrumento útil na leitura dos conflitos de interesses (COIs), mas
também como elemento fundamental que permitiu passar da investigação dos
debates sobre COIs para uma perspectiva de teor analítico, capaz de
apontar, concretamente, para questões sérias sobre a integridade da
pesquisa científica e suas soluções possíveis.
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