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segunda-feira, 28 de março de 2016

Mirella Domenich, Patrícia Casseano & Janaina Rocha - Hip-Hop: A Periferia Grita














Você pode até não saber o que é hip hop, mas com certeza já esbarrou em algum de seus representantes. Talvez tenha lido que Afro X está preso em Carandiru e teve um filho com Simony. Quem sabe ouviu no rádio alguma música dos Racionais MC’s, grupo que vendeu um milhão de cópias só com o disco “Sobrevivendo no inferno”, de 1997. Ou leu que MV Bill foi acusado de “apologia ao crime” porque, vejam só, mostrou uma criança com arma na mão no videoclipe “Soldado do morro”. Não? Vai dizer que não conhece o Pavilhão 9, que tocou no Rock in Rio 3? No mínimo ouviu falar que Marcelo D2 lançou a coletânea “Hip Hop Rio”. Ou que grupos importantes como o Rappa flertam com o rap. Pois esse tal de hip hop acaba de ganhar uma bem-cuidada biografia. O recém-lançado Hip hop — A periferia grita (Editora Fundação Perseu Abramo), escrito por três jornalistas de São Paulo, faz um apanhado histórico do movimento e dá voz a alguns de seus principais integrantes. Para início de conversa, é bom não confundir hip hop com funk. Os hip hoppers consideram os funkeiros alienados, criticam suas músicas despreocupadas, suas letras leves e sua postura descompromissada. Eles preferem letras quilométricas, ásperas, diretas, sem meios-tons ou concessões. Esqueça as metáforas e os duplos sentidos. O que interessa é o engajamento político e a contundência do discurso. É importante passar uma mensagem. Nada de “um tapinha não dói” ou “me chama de cachorra”. O buraco é mais embaixo. “Alcoolismo, vingança, treta, malandragem/Mãe angustiada, filho problemático/Famílias destruídas, fins de semana trágicos”, cantam os Racionais.

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