Isaku é um menino de nove anos que vive numa aldeia na costa do Japão
medieval, sobrevivendo precariamente daquilo que o mar lhe dá –
moluscos, peixes, conchas. Os aldeões também destilam sal para os
povoados vizinhos, em grandes caldeirões sobre fogueiras que ardem
durante as noites de inverno. A manufatura do sal tem, porém, uma
utilidade oculta e macabra – as chamas que brilham na escuridão
confundem e atraem barcos que passam pela costa, fazendo-os lançar-se
sobre os recifes da ilha. Quando o naufrágio acontece, os aldeões
saqueiam o navio, trucidam a tripulação e obtêm provisões para muitos
meses. É por meio de Isaku que o leitor acompanha o cotidiano dos
pescadores, que convivem com a penúria e a fome. E é pelo olhar
assombrado e ingênuo do garoto que testemunhamos a tragédia que se abate
sobre a aldeia quando surge na costa um pequeno barco à deriva – um
barco com uma carga de inimaginável terror, destruição e morte.

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