Doidinho, É a continuação do livro Menino de Engenho, publicado em
1932, sendo que os dois fazem parte do “ciclo-da-cana-de-açúcar”. O
livro mostra características de um romance memoralístico regionalista,
fala sobre os engenhos de cana na Paraíba e sua riqueza depois sua
decadência e a aparição das usinas, nome de mais um livro do
“ciclo-da-cana-de-açúcar”. Os livros de José Lins são carregados de uma
denúncia de problemas sócio-econômicos da época e região. O título do livro é o apelido que Carlos Melo, agora com 12 anos, que
narra as experiências do personagem como interno em um colégio severo. O
grande sonho de Doidinho é voltar ao engenho Santa Rosa do avô José
Paulino. Enquanto alimenta o desejo de voltar, tem oportunidade de ampliar as
relações e o conhecimento: há os intrigantes, os maus, os protegidos, os
pequenos pederastas. Conhece a amizade leal no personagem Coruja e
também o amor na figura de Maria Luísa. Doidinho foge do colégio e
retorna ao engenho. É em Doidinho que o menino inicia a sua transição para Carlos de Melo,
ou seja, a criança precoce faz o seu áspero aprendizado em relação às
durezas da vida. Doidinho descobre logo que o colégio de Itabaiana, de
seu Maciel, é o oposto do Santa rosa com o seu vasto mundo rural e que o
mundo não se resume somente ao Santa Rosa, assim como que seu avô,
objeto de admiração não é tão grande como parece. Ele aprende com a
morte do pai e do colega Aurélio e além disso, são comentadas mudanças
físicas comuns, como o crescimento. O internato foi para ele um castigo brutal, uma insupórtavel prisão. A
sua dignidade de neto de senhor de engenho lhe dava vantagens,
privilégios. E começa a surgir nele a consciência social, a descoberta
das diferenças de classe. O colégio “era o último recurso para meninos
sem jeito”.
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