O stuprum per vim no direito romano, ou estupro, como o
conhecemos, é profundamente analisado nesta obra, de Kelly Cristina
Canela, que reconstrói essa figura penal tal como era concebida na Roma
Antiga. Para a autora, as constantes citações do stuprum per vim na literatura
não jurídica, como as produzidas por filósofos, historiadores e
escritores da Roma Antiga, sugerem a existência de regulamentação
jurídica exaustiva acerca do crime no direito romano. No entanto não se
encontra na legislação romana leis específicas sobre o assunto,
inexistindo inclusive a figura do estupro como conceito autônomo. Nesse contexto, a autora analisa com profundidade interpretações de
diversos autores sobre o conceito de stuprum e como o direito romano
tratava o crime, inclusive em termos de repressão. Com foco na posição
da mulher, Canela discorre sobre a organização social da Roma Antiga e
dedica um capítulo todo à exegese de textos da legislação e de juristas
romanos que tratam da aplicação da lei na repressão do stuprum per vim. A obra também oferece subsídios jurídicos históricos para reflexões
sobre a legislação penal brasileira sobre crime de estupro,
especialmente em relação às leis 11.106/05 e 12.015/09.
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