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domingo, 3 de abril de 2016

Lúcio Álvaro Marques - Philosophia Brasiliensis: História, Conhecimento E Metafísica No Período Colonial














O poeta recorda que precisamos educar o Brasil e, imediatamente, acrescenta – compraremos professores e livros, assimilaremos finas culturas. Chega o tempo em que necessita-se olhar para a realidade do país não como o Velho Mundo olhou nos séculos passados. A história do pensamento brasileiro não se faz a partir de obras escritas noutras terras, embora não prescinda do diálogo com outros povos. O poeta é enfático nessa necessidade: precisamos, precisamos esquecer o Brasil! Esse Brasil que os próprios brasileiros desconhecem, essa terra preterida pelo desejo de conhecer outras histórias, essa terra de gente cuja cabeça desconhece onde se encontram os pés – esse país precisa ser esquecido. O Brasil não precisa de cérebros que desconhecem os pés, mas também não viverá de pés que existem sem cérebro. Uma tentativa de articulação entre a realidade nacional e a experiência do pensamento, os pés e o cérebro, é exemplificada nesse livro através da tradução, exegese e comentário da obra Conclusiones Metaphysicas de Ente Reali de Francisco de Faria, publicada no Rio de Janeiro em latim (1747) e que consta como a primeira tese escrita no país. Entretanto, há ainda os que vivem no Brasil, mas não o pensam, por isso estão fartos dessa terra. Diriam ainda – nosso Brasil é no outro mundo. A essas formas de pensamento, o Brasil permanece desconhecido, completamente alheio, porque jamais olharam diretamente para o próprio chão. Nesse sentido, nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

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