O poeta recorda que precisamos educar o Brasil e, imediatamente,
acrescenta – compraremos professores e livros, assimilaremos finas
culturas. Chega o tempo em que necessita-se olhar para a realidade do
país não como o Velho Mundo olhou nos séculos passados. A história do
pensamento brasileiro não se faz a partir de obras escritas noutras
terras, embora não prescinda do diálogo com outros povos. O poeta é
enfático nessa necessidade: precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Esse Brasil que os próprios brasileiros desconhecem, essa terra
preterida pelo desejo de conhecer outras histórias, essa terra de gente
cuja cabeça desconhece onde se encontram os pés – esse país precisa ser
esquecido. O Brasil não precisa de cérebros que desconhecem os pés, mas
também não viverá de pés que existem sem cérebro. Uma tentativa de
articulação entre a realidade nacional e a experiência do pensamento, os
pés e o cérebro, é exemplificada nesse livro através da tradução,
exegese e comentário da obra Conclusiones Metaphysicas de Ente Reali de
Francisco de Faria, publicada no Rio de Janeiro em latim (1747) e que
consta como a primeira tese escrita no país. Entretanto, há ainda os que
vivem no Brasil, mas não o pensam, por isso estão fartos dessa terra.
Diriam ainda – nosso Brasil é no outro mundo. A essas formas de
pensamento, o Brasil permanece desconhecido, completamente alheio,
porque jamais olharam diretamente para o próprio chão. Nesse sentido,
nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?
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