Uma problemática fundamental e recorrente da música eletroacústica mista
consiste nas distorções – anamorfoses – decorrentes da interação do
performer com os meios eletroacústicos, situações ambíguas em que não só
a natureza das fontes sonoras é velada, como também o processo pelo
qual pode ter passado o som instrumental. Também na performance da
música mista, sons e imagens visuais instauram um elo complexo com o
fruidor, e as anamorfoses atuam no limiar entre relações audiovisuais
mais diretas – o que é visto em termos gestuais é coerente com o que é
escutado – e relações mais distantes – o que é visto não apresenta
conexão imediata com o que é escutado. Através de um mapeamento de
exemplos
considerados representativos, da análise de duas obras mistas (Parcours
de l’Entité de Flo Menezes e Altra voce de Luciano Berio) e da aplicação
dos conceitos discutidos na prática composicional, investigam-se as
anamorfoses na música eletroacústica mista tanto do ponto de vista do
gesto instrumental como da dinâmica global da performance, uma vez que
elementos extramusicais são frequentemente previstos por compositores
para enfatizar tais distorções.
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