Este trabalho tem como objetivo discutir O Conceito de Imitação na Ópera
Francesa do Século XVIII. Através do exame de textos franceses do
século XVIII quanto à estética musical e de teóricos consagrados como
Jean Baptiste Dubos e Charles Batteux, que se referiram à imitação, nos
perguntamos: quais as concepções e modelos miméticos utilizados na
França do século XVIII? Como a mímesis se atrelava à concepção de gosto e
como se manifestava em textos e tratados da época? Procurou-se seguir a
trajetória da imitação como prerrogativa para a execução da ópera, e
como ela se perdurou no decorrer desse século, mesmo em meio às
polêmicas, querelas do bufões e às transformações sociais que levaram a aristocracia
francesa a entrar em declínio. A imitação, estabelecida como regra a
partir da Poética de Aristóteles e utilizada como modelo para o teatro
clássico francês do século XVII, teve na ópera a execução de suas
teorias, em voga desde o Renascimento. Seu conceito era vinculado à uma
concepção de natureza de onde tirava seus modelos e definição de gosto, e
esta concepção de natureza modificou-se nesse período, alterando também
o dispositivo imitativo. Razão, sentimento e expressão -concepções
abarcadas na concepção de natureza enquanto a teoria imitativa foi o
dispositivo permanente para a execução da ópera francesa. Em meio às
teorias imitativas, indagava-se sobre os significados da música e o que
ela imitava ou deveria imitar, observando-se como hipótese que era de
sua natureza não concretizar por completo a realização da imitação.
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