A expansão urbana experimentada pelas cidades brasileiras vem ocorrendo
em descontinuidade, com a implantação de espaços residenciais fechados
de alto padrão em áreas distantes da malha urbana compactada, mas também
de condomínios horizontais populares fechados, aos quais voltamos nossa
atenção nessa dissertação, que procura compreender como essas novas
formas de morar são influenciadas e influenciam a produção do espaço
urbano de cidades médias, como Presidente Prudente e São Carlos. A
perspectiva metodológica adotada é a do cotidiano dos seus moradores, em
sua relação com os espaços urbanos, e as práticas dos moradores de um
espaço residencial popular aberto em cada uma dessas cidades também
foram analisadas, como forma de identificar contrapontos e semelhanças.
Com as entrevistas, constatamos que a opção pela tipologia fechada,
pelos agentes imobiliários, visa reverter desvantagens locacionais e
superexplorar espaços internos, enquanto que, para os moradores, ela é
estratégica na evitação dos estigmas próprios das periferias nas quais
estão localizados os condomínios pesquisados. Embora convivam com
processos que não são novos de produção desses espaços periféricos, as
novas barreiras (físicas e simbólicas) contribuem para que novos
sentidos da casa própria sejam difundidos, ao mesmo tempo em que
acentuam a tendência à privatização, em curso nessas cidades.
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