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domingo, 8 de maio de 2016

Elisa Larkin Nascimento - O Tempo Dos Povos Africanos











Autor da clássica interpretação racional da História, o filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel excluiu a África negra da totalidade histórica universal. Apenas duas partes da África, o Egito e a África Mediterrânea, entram na história da humanidade na concepção de Hegel e de seus seguidores. Para eles, faltam à África negra a objetividade, o ideal de Estado, o conceito de Deus, do Eterno, do Justo. As teorias racialistas negaram a contribuição da África ao desenvolvimento humano. Qualquer vestígio de arte, de tecnologia ou de civilização encontrado no continente africano seria atribuído a uma intervenção externa européia ou asiática. Até hoje se especula que a Esfinge do Egito seria uma pedra gigantesca modelada pela força dos ventos e não uma obra humana com rosto negróide ou até que a construção da cidade murada de Monomotapa seria obra de extraterrestres! Pesquisas científicas recentes identificam na África o berço da humanidade e demonstram que a África está no início e no centro da história universal do mundo. Ao recolocar o Ser negro no início e no centro da história da humanidade, essas pesquisas científicas fazem à África uma grande justiça, devolvendo-lhe sua contribuição ao mundo que ajudou a povoar e a construir e da qual foi rechaçada por razões ideológicas. Assim passamos a constatar que os africanos negros iniciaram e desenvolveram as invenções científicas e tecnológicas como agricultura, matemática, medicina, embarcações marítimas e tecnologia naval, metalurgia de bronze e de ferro, domesticação das plantas e dos animais, e outras que explicam sua capacidade de migrar para povoar e levar cultura a outros continentes (Ásia, Europa, América, Oceania).

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