É sobre o processo tradutório empreendido por José Feliciano de
Castilho Barreto e Noronha (1810-1879) sobre os versos de Marcial, o
grande epigramatista latino do século I d. C, que a autora foca, aqui,
sua análise. O trabalho não só contribui para o debate sobre a
constituição de uma História das Traduções, como oferece ao leitor
interessado em poesia uma antologia, até então inédita, de versões
oitocentistas em língua portuguesa para 49 epigramas latinos do poeta.
Também apresenta a vida e obra de José Feliciano Castilho e pontua sua
importância no contexto literário do século XIX. José Feliciano de Castilho ou Castilho José, como ficou conhecido,
nasceu em Portugal e viveu no Rio de Janeiro a partir de 1847. Doutor e
bacharel em Direito, Medicina e Filosofia, publicou no Brasil a Livraria
clássica portuguesa e o periódico Íris, no qual figuravam textos de
escritores como Joaquim Manuel de Macedo e Antônio Gonçalves Dias. Os debates que Castilho José manteve com José de Alencar, em defesa
da Lei do Ventre Livre, o tornaram conhecido e, por conta desse
episódio, ele aparece citado em obras clássicas sobre literatura
brasileira. Neste livro, Joana Junqueira Borges busca resgatar, pelo
menos parcialmente, sua obra literária, filológica e tradutória, que foi
pouco explorada. Entre suas produções mais relevantes estão os comentários e
anotações feitos por ele às traduções dos poemas de Ovídio, produzidas
por seu irmão, o poeta Antônio Feliciano Castilho. Ali, José Feliciano
Castilho atuou ele mesmo como tradutor de versos de outros poetas
latinos, como Propércio, Tibulo, Lucano, Catulo e Marcial.
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