O trabalho investiga os projetos editoriais e gráficos da Folha de S.
Paulo produzidos desde a década de 1970, de modo a tentar compreender a
evolução histórica recente do veículo, além do amadurecimento de seu
conceito de jornalismo e de sua visão como empresa, os quais o alçaram à
condição de jornal mais importante do país, posição que raramente
perdeu e ainda mantém. Com ferramentas metodológicas emprestadas de Mikhail Bakhtin, a autora
demonstra que, apesar das estabilidades estruturais desse jornal
enquanto gênero discursivo se ampararem em elementos como conteúdo
temático, traços formais e estilo verbal, esses mesmos elementos seriam
sutilmente transformados ao longo dos anos, de modo a adaptar
continuamente o veículo ao universo mutável que o circunda, constituído
pelos leitores, anunciantes, governos, o desenvolvimento tecnológico e o
próprio conceito de jornalismo. A pesquisadora mostra o quanto a Folha de S. Paulo precisou se
modificar para enfrentar a concorrência dos outros jornais, da televisão
e, em especial, da internet, que impôs um novo tipo de tratamento à
informação. E como, nesse percurso, o jornal conseguiu consolidar sua
visão de mundo e sua noção particular de informação como mercadoria.
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