Cada um de nós traz uma ideia de Machado. Ideia vaga, talvez, difusa, mas eminentemente sua, apaixonada e
intransferível. Como se guardássemos um fino véu que se estendesse sobre
a cidade do Rio de Janeiro. Paisagem pela qual vamos fascinados e diante de cuja natureza suspiramos. Todo um rosário de ruas e de igrejas - Mata-Cavalos, Santa Luzia,
Latoeiros e Candelária. Nomesguias e sonoridades perdidas. Morros
derrubados. Praias ausentes. Tudo o que perdemos move-se ainda nas
páginas de uma cidade-livro. Cheia de árvores e de contradições, por
vezes dolorosas. Chácaras e quintais compridos. Aqueles mesmos quintais
que assistiram aos amores de Bentinho e Capitu e dentro de cuja educação
sentimental nos formamos. A exposição da Biblioteca Nacional é dedicada aos amigos e leitores de
Machado. A idéia tinha de ser abrangente e republicana. E a escolha não
podia não ser biográfica neste centenário, quando se redesenha o rosto
de Machado. A voz de Machado se faz sentir na exposição a partir da obra e da
cidade. Como se tivéssemos de tentar aquele livro de memórias que ele
sugeriu em carta a José Veríssimo. Memórias futuras, por onde se move o
"narrador anfíbio". A exposição se inspira na "imagem ambígua do mundo" e
na visão "unitária da natureza", que Machado persegue nas mudanças da
Corte para a Capital Federal.
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