Como a filosofia não pretende uma resposta cabal para cada discussão,
contentamo-nos, se o fizemos, em colocar, do melhor modo possível, uma
questão. A saber: para além do pensamento ingênuo (a recusa das mortes de Deus e do homem), do relativismo teórico (o pensamento e o mundo sem valores) e do retorno ao pensamento originário (o retorno aos mesmos deuses), há um lugar para o sujeito quem filosofa, ou seja, a filosofia ainda é uma tarefa exequível após a morte de Deus e do homem? A
bela senhora que outrora consolou Boécio na noite derradeira, talvez
não nos deixe derivar no irracionalismo, antes, estenda-nos a velha e
jovial sabedoria na voz de Foucault: “Certamente, não se trata aí de
afirmações, quanto muito de questões às quais não é possível responder, é
preciso deixá-las em suspenso lá onde elas se colocam, sabendo apenas
que a possibilidade de colocá-las abre, sem dúvida, para um pensamento
futuro”.
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