Só o desespero nos liberta da mentira interior; só ele nos devolve à
realidade árida, nua, quase cadáver, de uma condição humana alheia ao
menor brilho e à transcendência mais insignificante. Instrumento de
liquidação sumária de todas as Quimeras, poderíamos definir o desespero
como um abrir de olhos sem cobardia perante o fantasma do que
acreditamos ser; um reconhecimento frio e sossegado da nossa pequenez
imunda, da nossa insignificância de ruído ténue no meio de uma noite
qualquer, da nossa impotência de coisa inútil embalada pelos ventos mais
comuns.
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