“A Anarquia é, para mim, um meio para chegar à realização do
indivíduo; não o contrário. Se assim fosse, a Anarquia também seria um
fantasma.” Mas não se pode ir para a sepultura com o coração cheio de tristeza e
de choro. Antes disso, é preciso termos vivido intensamente como
Artistas, como Rebeldes e como Heróis, sem nos termos alguma vez banhado
nas águas amargas do arrependimento que correm pelos rios cristãos. O
verdadeiro pecador original e genial, não pode morrer afogado nos
redemoinhos lamacentos de um também lamacento remorso, mas sim envolto
nas chamas encarnadas de um grandioso pecado. Antes de morrermos, é
necessário termos consumido o nosso rico pensamento até à última
centelha, termos feito do mundo uma festa e da Acção um gozo infinito. Abele Rizieri Ferrari, mais conhecido pelo pseudónimo de Renzo Novatore,
foi um poeta da anarquia que viveu alguns dos anos mais turbulentos de
uma Itália revolucionária e pré-fascista, em que os sonhos de mudança
radical de sociedade se esbateram com a traição socialista e a reacção
bruta fascista, num país dividido em dois pólos extremos de conflito.
Abele viu a sua vida ser-lhe ceifada muito cedo pelas forças de
autoridade, nesse mesmo ano de 1922 em que Mussolini marchou sobre Roma,
mas deixou-nos um legado quase único de escritos espalhados por
revistas e jornais e que o tornam uma figura ímpar, ainda que quase
desconhecida, na história do anarquismo. É parte desse legado que hoje
recuperamos e trazemos para o português com esta antologia, que espelha o
seu pensamento individualista radical nos antípodas de qualquer
concepção anarquista tradicional e que o tornaram “maldito” mesmo entre
os seus.
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