No que se refere à educação matemática, em uma relação com a cultura dos grupos do campo, vale destacar que, no Brasil, os estudos dos educadores matemáticos que dizem respeito a contextos multiculturais e multilíngues, em geral, baseiam-se nos princípios da Etnomatemática. Isto se dá, talvez, devido à influência exercida pelo educador brasileiro Ubiratan D’Ambrosio – o qual tem incentivado educadores matemáticos em todo o mundo à busca das contribuições das diversas culturas ao desenvolvimento da Matemática, assim como da Educação Matemática. Os educadores matemáticos brasileiros envolvidos com os estudos etnomatemáticos têm apresentado atitudes diferenciadas frente ao debate sobre como considerar o conhecimento do ‘outro’, culturalmente diferenciado em relação ao conhecimento dito acadêmico/escolar. Alguns educadores/pesquisadores procuram, entre outras medidas, tomar o conhecimento cultural do grupo como ponto de partida para a construção dos conhecimentos acadêmicos/escolares – construção de uma ponte na direção da matemática acadêmica. Outros procuram manter as discussões dentro do próprio conhecimento e/ou patrimônios culturais - ajudando o grupo a compreender melhor o próprio uso matemático dentro de suas comunidades culturais. E alguns outros educadores (etno) matemáticos apresentam a matemática acadêmica para o ‘outro’ grupo por meio de uma discussão reflexiva, porém sem a expectativa de interpretar/modelar o conhecimento étnico em conhecimento (matemático) acadêmico.
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