Segundo o realismo materialista, a nossa consciência surge exclusivamente por movimentos no interior do cérebro (consciência-epifenômeno), cujas representações são, misteriosamente, de natureza diferente da matéria. Para o idealismo subjetivo, as imagens que percebemos já estariam na nossa consciência, reduzindo a matéria à representação que temos dela. Mas Bergson pensa a matéria antes da dissociação entre sujeito e objeto, que é comum no realismo e no idealismo. Para ele, a matéria é constituída por imagens que se interpenetram em todas as suas partes: “A matéria, para nós, é um conjunto de ‘imagens’”. Bergson faz a divisão entre dois sistemas de imagens. O primeiro sistema é constituído pela pura presença de imagens que não se distinguem do movimento, ou seja, um fluxo contínuo de imagens. Nesse sistema não existe centro, porque as imagens agem e reagem umas sobre as outras imediatamente, isto é, elas recebem e devolvem movimentos sem hesitação e sem liberdade, em todas as suas partes.

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