Em
2010, o Brasil realizou sua sexta eleição direta consecutiva para
presidente da República. Ao longo de praticamente trinta anos (1980 a
2010), o país conformou uma das maiores e mais pujantes democracias do
mundo, por meio da qual conseguiu proclamar uma nova Constituição
Federal em 1988, estabilizar e legitimar uma nova moeda nacional desde
1994 e testar satisfatoriamente a alternância de poder tanto no
executivo e legislativo em âmbito federal como nos executivos e
legislativos subnacionais, em um processo contínuo, coletivo e
cumulativo de aperfeiçoamento institucional geral do país. Não obstante a presença de tensões e recuos de várias ordens, é
possível avaliar como positiva a ainda incipiente e incompleta
experiência democrática brasileira; indicação clara de que a dimensão de
aprendizado político e social que lhe é inerente – e que apenas se faz
possível em decorrência do seu exercício persistente ao longo do tempo –
constitui-se na mais importante característica deste que já é o mais
duradouro período de vigência democrática do país em regime
republicano. Com isso, quer-se dizer que não parece descabido relacionar
positivamente alguns auspiciosos fatos recentes relatados nesta
publicação, que busca produzir reflexão sistemática e crítica da
experiência brasileira atual no campo das suas mais importantes
políticas públicas, com o exercício – mais uma vez – contínuo, coletivo e
cumulativo da vigência democrática no Brasil, cujo sentido de
permanência aponta não somente para processos de amadurecimento
crescente das instituições como também para grandes desafios que ainda
pairam sobre a sociedade brasileira. Para enfrentá-los, é missão do Ipea perseguir princípios e ideais do
Estado nacional republicano, do planejamento governamental democrático e
das próprias políticas públicas como veículos a partir dos quais o
desenvolvimento é buscado. Não é outra, portanto, a razão de ser desta
publicação que ora se apresenta, dando sequência, em edições anuais, a
este esforço institucional de pensar criticamente o Brasil. Em particular, interessa ao Ipea, nesta atual quadra histórica de
desenvolvimento que se abre ao país, reafirmar a ideia de que ao Estado
cabe não apenas fazer as coisas que já faz de modo melhor e mais
eficiente – ainda que se reconheça ser isto nada trivial e em si mesmo
meritório; a ele cabe – como ficou demonstrado em outros momentos
históricos – a tarefa de induzir, fomentar ou mesmo produzir as
condições para a transformação das estruturas econômicas e sociais do
país, algo que se justificaria quase que exclusivamente frente ao
histórico e à contemporaneidade das heterogeneidades, desigualdades e
injustiças – em várias de suas dimensões – que ainda marcam a nação
brasileira.
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