A expansão mundial da democracia foi um dos fenômenos políticos mais importantes do século XX, mas o cenário da segunda década do século XXI envolve um paradoxo. Em que pesem os importantes avanços democráticos verificados por toda parte, a insatisfação política, a desconfiança de partidos e parlamentos, e a descrença de governos crescem nas novas e velhas democracias. Embora um grande número de países tenha se somado ao grupo de regimes usualmente considerados democráticos – mesmo em áreas do mundo onde os valores democráticos eram considerados inexistentes -, as vicissitudes dos processos de consolidação de vários regimes políticos inspiraram alguns analistas a caracterizá-los como sendo híbridos, democracias liberais, incompletas ou falhas. A questão exige o aprofundamento do conhecimento dessa realidade de modo a se poder avançar na explicação de suas causas. As pesquisas em curso no Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas – NUPPs, da Universidade de São Paulo, em torno da avaliação dos 25 anos do regime democrático brasileiro – inaugurado com a promulgação da Constituição de 1988 –, pretendem contribuir para esse objetivo.
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