Se o desenvolvimento sustentável é um projeto que visa o futuro a longo prazo, a literatura se apresenta como um dos meios pelos quais figurações de futuros possíveis deste e de tantos outros projetos deixam ver, examinar, experimentar. É nessa modelagem do possível que a literatura vai delineando sua esfera de atuação nos cenários, desejáveis e distópicos, embutidos nos debates sobre o desenvolvimento sustentável. Trazida ao Brasil no contexto de redemocratização política do início dos anos 90, e por si só fortemente calcada nas premissas básicas dos modernos regimes democráticos, a sustentabilidade pode encontrar uma esfera privilegiada de atuação política no âmbito literário. E no regime estabelecido pela democracia da literatura, como propõe Jacques Rancière, a palavra está ao alcance de todos.
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