O estudo das inter-relações entre língua e sociedade, a partir de um
corpus jornalístico, é o foco primordial desse livro. Trata-se da
investigação do sistema de formas de tratamento nos jornais da Imprensa
Negra paulista - movimento realizado por negros e destinado a essa
população no período posterior à abolição da escravatura no Brasil - e
em O Combate - jornal de circulação mais ampla na cidade de São Paulo no
início do século XX. As formas de tratamento representam um exemplo
privilegiado da relação entre a escolha linguística e seu motivador
social. Elas foram analisadas a partir da relação de alguns pontos de
vista teóricos, a saber: o estudo do jornal como um hipergênero,
proposta de Bonini (2003, 2004, 2006), com o intuito de se avaliar as
características peculiares de cada um dos gêneros do jornal; a proposta
de análise da situação do interlocutor no momento da enunciação de Soto
(2001); a investigação das marcas de interatividade, proposta por
Andrade (2008); e a semântica do poder e da solidariedade de Brown e
Gilman (1972 [1960]). O estudo desse fenômeno linguístico revelou à
necessidade dos negros do período de conquistarem um espaço na sociedade
paulistana da época e, dessa forma, a Imprensa Negra representava um
espaço de circulação de sua voz na sociedade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário