No volume I desta obra os leitores assistiram à longa sucessão e à transformação dos gêneros que podem ser considerados formas embrionárias do conto. Mesmo após a idade média, a evolução da fórmula foi vagarosa: por mais de três séculos, ou quase, ela se processou nos moldes que lhe imprimiram os narradores italianos, especialmente Boccaccio. Seus conterrâneos e sucessores — Agnolo Firenzuola, Nicolò Machiavelli e Matteo Bandello —, assim como os franceses Marguerite d’Angoulême, Bonaventure des Periers e até Charles Sorel, cultivam o mesmo padrão. Até meados do século XVIII são gerais as feições do conto europeu — predominância do enredo, tom licencioso, desfecho surpreendente —, sendo mal perceptíveis as diferenças nacionais e individuais. Aparece originalidade nalgumas, poucas, personalidades excepcionais refratárias à imitação, tais como um Cervantes ou um Quevedo. Perdura a grande tradição dos contadores de histórias da Ásia, porém muitas vezes as coletâneas repisam lendas que vêm de longe. Em todo caso, as amostras de O livro do papagaio e das histórias de Pu-Sung-Ling são dignas de figurar entre os mais curiosos ou mais finos espécimes da prosa.
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