Estruturado em torno dos fatos decorrentes da imigração alemã no Sul do
Brasil, Graça Aranha construiu em Canaã um romance de ideias, ou de
tese, como o classificou Olívio Montenegro em seu livro O romance
brasileiro. Canaã apresenta memoráveis descrições da natureza brasileira
ainda em estado quase selvagem. O leitor, ao acompanhar as tomadas
panorâmicas que ressaltam a beleza das inexploradas terras brasileiras,
pode bem visualizar o esplendor da nossa natureza e escutar, como em
diálogos dramáticos de teatro, as vozes de Milkau e Lentz, seus
personagens principais. Eles são os atores que ponderam, segundo as suas
convicções, os prós e os contras da experiência imigratória e do uso da
terra. Publicados em 1902, Canaã e Os Sertões de Euclides da Cunha guardam
alguma semelhança no empenho de seus autores em retratar não apenas
ficcionalmente, mas de modo documental, acontecimentos que revelam com
nitidez o retrato do chamado Brasil profundo.
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