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quinta-feira, 14 de julho de 2016

João José Reis - A Greve Negra De 1857 Na Bahia














Há 150 anos, as ruas de Salvador (BA) amanheceram em estranha calmaria. Não se via o tradicional vai-e-vem de gente e mercadorias. A cidade parou porque os homens negros entraram em greve. Entre eles não havia brancos nem mestiços, o trabalho era feito exclusivamente por negros - africanos e brasileiros. Eles ganhavam a vida transportando de tudo - gente, cartas, pacotes, caixas, tinas, tonéis etc -, e eram chamados de 'ganhadores'. A Câmara Municipal queria obrigá-los a tirar uma licença para fazer o serviço a um custo de dois mil réis. Também passaria a ser cobrado mais três mil réis para obtenção de uma chapa de metal que os trabalhadores deveriam usar no pescoço durante o serviço. O valor total era equivalente a 15 quilos de carne, quantia em nada desprezível até para os dias de hoje. Segundo o professor de História da UFBa, João José Reis, a fachada tributária na verdade escondia a intenção de disciplinar o negro no espaço público urbano, já que também se passava a exigir um fiador idôneo que ficaria responsável pelo seu comportamento. O trabalho dos ganhadores tinha um caráter anticapitalista. O ganhador organizava o seu tempo e ritmo de trabalho. Muitos preferiam não trabalhar a ter que carregar peso maior ao que consideravam lhes ser conveniente e, sempre que podiam, trabalhavam coletivamente. Os escravos tinham certa independência e liberdade para se movimentar pela cidade a trabalho e, não raro, moravam em casas ou quartos alugados. Em condições favoráveis de mercado, alguns conseguiam comprar sua liberdade com o fruto do trabalho.

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